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Nautimodelismo a explosão no Brasil
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Nautimodelismo a explosão no Brasil Quente

 
Nautimodelismo a explosão no Brasil
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Os primeiros registros oficiais desta atividade por aqui datam de meados da década de 50 e começo dos anos 60 quando alguns poucos aeromodelistas decidiram construir os primeiros modelos de barcos utilizando plantas publicadas em revistas como Seleções (Digest Readers) e Mecânica Popular (Popular Mechanics) e pouco depois kits que passaram a ser fabricados em série por empresas como as pioneiras norte americanas Octura e Dumas boats, que oferecem até os dias de hoje uma grande gama de produtos para esta modalidade. Vale lembrar que ainda não se fabricavam micro motores marítimos e os sistemas de radio controle ainda eram pouco confiáveis.

Como entusiasta de micromecânica, velocidade e praticante de competições de vôo circular a cabo , o fundador do portal GRS MODEL BOATS, autor desse artigo, resolveu migrar para o cenário náutico no inicio dos anos 70 quando a modalidade dava seus primeiros passos, incentivado pelo saudoso e querido Mestre Emilio. Como consequência nascia o primeiro núcleo efetivo de nautimodelismo da categoria explosão com sede no tanque do parque do Ibirapuera que continua ativo até os dias de hoje.

Por volta de 1977 este mesmo grupo decide estender suas atividades ao grande lago do parque do Ibirapuera desta vez com o aval da secretaria municipal de esportes e prefeitura da cidade de São Paulo e desta feliz parceria surgem as primeiras competições. O nautimodelismo explosão viveria um período áureo e passaria a ser uma das grandes atrações do Parque do Ibirapuera tendo inclusive quase todas as suas atividades reportadas durante um periodo pelo jornal “A Gazeta Esportiva” além de contar com importante suporte da administração do parque……inesquecível para quem fez parte disto tudo!Estou tentando resgatar alguns destes arquivos por intermédio da Fundação Casper Libero e publica-los em outro artigo!

Por vários anos ali aconteceram centenas de competições, 2 campeonatos brasileiros, provas de resistência e muito mais, tudo isto organizado pela primeira associação paulistana com registro oficial, a dos pilotos de barcos radio controlados (APPBRC). Em 1980 a APPBRC* se junta à Federação Paulista de Aeromodelismo para alavancar o modelismo local e é considerada por muitos até os dias de hoje de “a turma dos anos dourados do nauti paulista”. Este grupo composto por profissionais liberais de várias áreas, engenheiros, empresários, comerciantes, estudantes e outros se destacava não somente pelo entusiasmo e dedicação, mas também pelas dificuldades técnicas da época, já que todo o material importado era extremamente caro e as informações técnicas disponíveis eram raras para não dizermos inexistentes. Contando unicamente com muita experimentação, conhecimentos de alguns e criatividade, criou-se um grupo seleto e ávido que não só não media esforços e tempo para aprimorar o desempenho dos modelos, mas que literalmente começava a fabricar seus próprios "brinquedos".

A modalidade adotada naquela época é a conhecida classe FSR** praticada até os dias de hoje na Europa. A APPBRC chegou a montar um pequeno time que participou de competições no exterior com razoável desempenho diante das limitações enfrentadas naquela época amealhando uma importante experiência que seria transferida para o clube. Por sua popularidade e crescimento ascendentes o grupo passou a realizar eventos em várias localidades do estado e era presença obrigatória no dia 25 de janeiro (Dia da cidade de São Paulo) para a alegria dos freqüentadores do parque e dos hobbystas, é claro!

Mas em 1986 logo no inicio do calendário e de maneira inesperada a associação é surpreendida com o impedimento deste lago, por razões puramente políticas, e o esforço de anos de dedicação é pulverizado sem maiores explicações. Lembro com clareza dos detalhes da nossa última barquejada que sob os protestos dos habituais freqüentadores do parque quase terminou em tumulto e virou caso de polícia com a apreensão de muitos equipamentos que foram liberados na seqüência. Naquela época a prefeitura da cidade tinha sua sede neste parque e sob a alegação do barulho dos modelos fomos despejados sem aviso prévio pelo então prefeito Janio Quadros. Acredito que ai mora a sina da modalidade que repetidamente enfrenta a dificuldade de dispor de um lago com condições ideais e seguras, algo até compreensivel, já que um espaço desses não é tão óbvio de estar à nossa disposição. Existem relatos de praticantes na Suiça que chegavam a viajar 900kms até a França para se juntarem a um pequeno grupo que alugava um lago da prefeitura de uma pequena cidade afim de realizarem algumas competições e que foram suspensas no verão passado (2009) por conta de alguns pedalinhos. Uma renomada associação da cidade de Orlando depois de anos de uso do Dodge Culvert Park perdeu o direito de uso do lago por conta de reclamações de ambientalistas e por ai pode-se observar inúmeros relatos deste tipo. Aqueles que tem o hábito de navegar na net, com certeza podem observar a redução da quantidade de lagos utilizados por inúmeras associações que simplesmente tem de se contentar com estas limitações via de regra, impostas por políticas absurdas e infundamentadas, uma vez que estamos falando apenas de pessoas de bem querendo em busca de um local para prática de seu hobby. Aliás o modelismo como terapia ocupacional é praticado em muitos países nas escolas e universidades e tornou-se parte destas culturas trazendo enormes benefícios a estas sociedades. Na Universidade de São Paulo (USP) o modelismo é matéria obrigatória do segundo ano de engenharia naval da Poli que há anos atrás convidou nautimodelistas para uma palestra com outros colegas modelistas. Exemplo que deveria ser seguido por outras instituições deste gênero!

De uma legião de fiéis seguidores do nautimodelismo, surge uma nova mobilização para manter a categoria ativa e a Nitro Modelismo em parceria com a GRS Boat, visa buscar uma nova proposta de modelismo tentado organizar um novo núcleo que passaria a se encontrar em diferentes locais dependendo das disponibilidades e autorizações. Uma verdadeira maratona de buscas por locais apropriados. A título de lembrança quem não se lembra do excelente lago “Fiat Lux” hoje localizado as margens da rodovia dos Bandeirantes junto à chegada da cidade de São Paulo que foi proibido pela prefeita Erundina com a criação do novo bairro City America, outro lago muito bom estava localizado próximo ao aeroporto de Guarulhos, mas sem segurança alguma, a represa Billings no seu trecho conhecido por Riacho Grande muitas vezes impróprio pelo vento e ondulações e onde por algumas vezes abrimos o campeonato paulista de motonautica, a represa Guarapiranga próximo ao clube de campo São Paulo, o lago do autódromo de Interlagos oferecido poucas vezes pela sua administração para cobrir alguns eventos, o do parque da Aclimação, o parque do Carmo e assim vão se muitos outros lugares que fizeram a curta alegria desta galera entusiasta por velocidade na água, sempre pautada por dificuldades e toda sorte de interferências!

Em 1989 descobre-se a apenas 40 kms do centro da capital paulista, na cidade de Caucaia do Alto/Cotia, um pequeno açude em uma propriedade particular que atende plenamente as necessidades deste grupo e ali se inicia uma nova fase, com outras categorias e um espírito renovado. Adota-se desta vez o formato Oval*** praticado nos EUA. Com as novas facilidades de importações, preços acessíveis e adequado suporte técnico surge o Grupo de Nautimodelismo de Velocidade,o GRUNAVE, que reúne uma turma muito comprometida com a nova proposta. Mas novamente por razões conjunturais de época este grupo se dispersa e somente alguns poucos decidem não abandonar o barco. Isso 15 anos atrás, 1995. Entretanto como se ouvia falar de uma pequena atividade no interior do Estado nas cidades de Louveira, Vinhedo, Campinas e Holambra se inicia por um curto período de tempo uma série de idas e vindas para uma troca de novas experiências que seriam determinantes para a sobrevivência da categoria.

 



 

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