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Motores O.S. BE chegam em abril
Mistura nos Micro Motores e ingredientes do combustível
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Motores O.S. BE chegam em abril

 
Motores O.S. BE chegam em abril
Avaliação dos usuários
 
4.5 (2)

É bem verdade que Bio Combustível para modelismo não é nenhuma novidade. Em dezembro de 2008 a Nitro Modelismo já havia publicado uma materia, "Bio Combustível para Modelismo", sobre o assunto. A novidade agora na verdade está com a chegda dos primeiros motores no Brasil.
A O.S. Engine, do Japão, informou que estão liberadas para o Brasil as vendas dos motores glow da linha BE, que usam como combustível o Bio-Etanol, o nosso álcool comum. As primeiras encomendas chegarão ao País entre março e abril de 2010. A Aeromodelli Ltda., representante da fábrica japonesa, já fez levantamento em sua rede de revendedores para definir o porte da primeira encomenda. Tal como acontece no Japão, os motores BE serão vendidos no mercado brasileiro somente por meio de lojas que ofereçam também a correta mistura combustível.


OS_BE_MaoÉ grande a repercussão do artigo a respeito dos motores O.S. BE publicado na edição nº 66 de Hobby News. Por causa dele, a revista, o autor e a própria Aeromodelli receberam diversas mensagens de aeromodelistas que, de um jeito ou outro, compraram motores BE e os utilizam no Brasil desde 2008. De modo geral, esses motores aqui chegaram por meio de dekasseguis (brasileiros de descendência japonesa, que vivem e trabalham no Japão). Veja no quadro os relatos de alguns desses usuários, a quem este artigo se dedica mais especialmente. São aeromodelistas que vinham quebrando cabeças com o combustível.

Antes da publicação do artigo na edição 66 de Hobby News, ninguém sabia exatamente qual tipo de álcool deve ser usado nos motores BE. Muita gente imaginava que bastaria comprar o “álcool de posto”, automotivo, e nele acrescentar algum lubrificante.

É, mas não é – O combustível para o qual os motores BE foram desenvolvidos é a base de etanol, ou melhor, o álcool anidro com pureza de 99,5%, também chamado de “absoluto”. É o mesmo álcool anidro usado pela Petrobrás para misturar à gasolina dos carros. Não é o “álcool de posto”, aquele que vai diretamente para o tanque dos carros! Antes da divulgação dessa informação, os atuais usuários dos motores BE estavam a se comportar como aprendizes de feiticeiros! Tentavam usar o álcool de posto, fácil de ser obtido e, aparentemente, igual a qualquer outro. Isso produziu um misto de felicidade e frustração. Felicidade porque os motores O.S. BE também funcionam com álcool de posto. Frustração porque com esse combustível eles funcionam mal! Por quê? 

Porque o álcool de posto, dito hidratado, contém de 5% a 8% de água. Essa variação é permitida por lei no Brasil e não afeta o desempenho dos motores automotivos. Nestes, tais proporções de água têm, inclusive, um papel positivo, como se verá adiante. Nos de pequeno porte para modelismo, contudo, o excesso de água atrapalha principalmente porque sua proporção é muito desigual no varejo. Ela varia de distribuidora para distribuidora e de posto para posto, o que tumultua a regulagem do carburador!

Nos motores grandes, de carros, o álcool hidratado em altas proporções funciona perfeitamente bem, como nós, brasileiros, estamos cansados de saber. A água é, aliás, um dos fatores que explicam o fato de os motores anteriores à tecnologia flex fuel serem um pouco mais potentes do que os de mesma cilindrada a gasolina (**). É que a água, embora não participe da combustão, atua dentro da câmara de combustão como fator de potência, pois seu vapor em alta temperatura também se expande junto com os demais gases da combustão e ajuda a empurrar o pistão, numa explicação simplificada e com o devido pedido de perdão aos engenheiros!

Não foi por acaso que aviões a pistão de formidável performance na Segunda Guerra Mundial tiveram versões com motores dotados de dispositivos de injeção de água para obterem potência extra em situações de emergência! Eram os casos, por exemplo, do P-51 Mustang e do Messerschimidt 109!

(**) Nos motores de carros flex fuel praticamente não há ganho de potência quando se usa 100% de álcool. Esse é o preço do lado flex dessa tecnologia, pois a geometria no motor deve ser aceitável também para o uso da gasolina. Ou seja, os motores flex têm a capacidade de ajustar o instante de disparo da centelha das velas, mas o volume da câmara de combustão não pode variar – ele é fixado por uma equação de compromisso que contenta aos dois combustíveis.